O caso de um adolescente de 17 anos que teve a testa tatuada com a frase: “eu sou ladrão e vacilão”, por dois homens em uma pensão em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, na semana passada, ganhou uma grande repercussão desde que as imagens se espalharam pelas redes sociais. As cenas de tortura provocaram a prisão do tatuador Maycon Wesley Carvalho dos Reis, de 27 anos, e do vizinho dele, Ronildo Moreira de Araújo, de 29 anos.

Tudo começou com uma suspeita de que o menor teria furtado uma bicicleta. Ele estava desaparecido há dias e é usuário de drogas. Porém nega ter praticado o furto. No bairro onde mora, o adolescente é querido e vizinhos desconhecem delitos cometidos por ele.

A mãe do garoto, Vânia Rocha, está inconformada com a violência e disse que não conseguiu assistir o vídeo que viralizou rapidamente depois de compartilhado pelo WhatsApp pelos próprios agressores. “Eu vi a foto e isso acabou comigo, acabou com a família. Como ele vai sair por aí? Ele é vítima da sociedade”, disse Vânia.

Ele disse que o filho é dependente químico e precisa de ajuda. “Ele precisa de ajuda, de tratamento, a gente não tem condições de pagar, a gente é pobre. Eu sou auxiliar de limpeza e estou desempregada. Eu estou acabada, ele pode ser o que for, mas o ser humano não tem direito de fazer isso. Ele é uma criança, ele é doente, não precisa de críticas, precisa de ajuda, de tratamento.”

O ato de tortura e as declarações da mãe do garoto dividem opiniões. O fato de ser usuário de drogas e ter supostamente cometido um delito daria o direito a seus algozes de tal medida ‘de punição’ ? Não seria melhor detê-lo e entregá-lo à Justiça?

A polêmica em torno da agressão é grande, uma vez que a sociedade parece ter adotado suas próprias medidas após julgar por ela mesma o que é errado. Para tal existem as leis e elas devem ser cumpridas.

Outro ponto atenuante é o fato do menor ter sido titulado pela mãe como ‘vítima da sociedade’. Pois bem. A compreensão de que o consumidor de drogas deva ser objeto de políticas de saúde pública, e não tratado como caso do sistema de Justiça criminal, faz com que essa afirmação tenha coerência. Mas não há de ser eximida a responsabilidade da família e do próprio usuário, apesar da pouca idade.

Há de se observar vários aspectos nesse caso tão polêmico. A disseminação das imagens de tortura que incitam a violência é outro ponto preocupante. Além das ações de ‘olho por olho dente por dente’ é assustador ver ‘pessoas de bem’ se divertindo cometendo atos extremos como se fossem marginais.

Então, em conformidade com as leis hoje vigentes, é certo o que foi feito com o menor? Há quem defenda a ação dos torturadores mas há quem os condenem, assim como fizeram com o garoto.

Em tempo…


Uma ‘vaquinha”, criada pelo ‘Afroguerrilha’ em uma plataforma de financiamento coletivo foi criada para pagar a remoção da tatuagem que foi feita na testa do adolescente. Há informes que a campanha já conta com a mobilização de mais de meio milhão de pessoas.