Uma mãe, brava, se levanta e fala:
“Vim hoje nesta reunião só pra saber por que meu filho está com notas baixas? Meu filho é excelente! Bem educado, e mais, nunca falta na escola... Por que então destas notas tão baixas?”

O professor se levanta e fala:
“Que bom saber que seu filho é tudo isso lá na sua casa, porque aqui ele é totalmente ao reverso: só chega atrasado, não faz as atividades, conversa demais nas aulas, e não respeita o professor!... Será que estamos falando da mesma pessoa?”

A mãe do aluno, contrariada, volta a falar:
“Professor, você deve está confundido os alunos. Essa perte aí de aluno que você fala deve ser o da minha vizinha. O meu filho é um anjo, você está equivocado”

O professor organizou seu pensamento e contestou:
“Não, minha senhora. O aluno do qual estou falando é o seu filho mesmo! Esse anjo aí, da qual a senhora fala, aqui na escola é um desastre. As notas dele é apenas reflexo do mal comportamento, e porque, também, ele não presta atenção nas aulas. Resultado: durante as provas obteve apenas notas vermelhas”

A mãe brava, roendo as unhas, grita no meio da sala:
“E por que vocês nunca mandaram me avisar... Esse tempo todinho sem saber de nada... Você, professor, tem culpa por me avisar tarde demais das aprontas do meu filho... deixa eu chegar em casa que aquele moleque vai ver com quantos paus se faz uma canoa”

O professor, com um livro nas mãos, volta a se posicionar:
“Minha Senhora, a escola está de portas abertas para a família. Todos os pais têm por obrigação visitar o colégio periodicamente. A escola faz sua parte pedagógica, mas sem a presença e a ajuda de vocês ela não avança. Só respondendo a pergunta da senhora: hoje é um dia muito interessante nesta reunião de pais e mestres, porque estão presentes todos os pais dos alunos, Nunca aconteceu isso. A senhora, por exemplo, jamais tinha vindo em reunião. Está presente aqui porque mandamos dizer que era pra tratar de assuntos do “BOLSA FAMÍLIA”. Por isso, você e outros, se fizeram presente”

Depois da fala do professor todos se calaram e apenas ouviram o discurso do professor que seguiu com o raciocínio:
“Se todos vocês, aqui presente, tivesse o compromisso de visitar a escola todos os meses pra ver o rendimento do seu filho, a educação ia melhorar. Porque o professor precisa de vocês cobrado em casa. Pois a realidade é que os filhos de vocês chegam em casa, jogam os cadernos pro lado e só volta a pegá-los no dia seguinte na hora de voltar pra escola. Isso é um erro que precisa ser mudado. Vocês precisam criar o hábitos de cobrar resultados de seus filhos. Caso isso não aconteça, vamos caminhar, ainda, muitos anos com uma péssima educação!”

Todos os pais se levantaram e aplaudiram o professor. Um pai teve a coragem e falou:
“Você está certinho, professor! Nós é que temos que cobrar mesmo dos nossos filhos em casa. Quando eu lembro que só estudei até a 4ª Serie, mas aprendi ler e fazer contas por conta da palmatoria... O negocio era complicado: o nego tinha que aprender porque se não o coro comia. Hoje mudou tudo e a educação está banalizada... Só falta de uns puxões de orelhas em casa de vez e quando. Professor, pode contar comigo para o que precisar... E mais: não faltarei nas reuniões, eu prometo!”

O professor aplaude o comentário do pai e agradece aos presentes:
“Obrigado pelo comparecimento de todos e peço que volte sempre. Saiba que a educação depende de vocês pra avançar. E aos pais que souberam do mal comportamento do filho apenas agora. Uma dica: tenha uma conversa aberta com ele, cobre responsabilidade e ofereça uma nova chance ao seu filho, ou seja, dê espaço pra mudança. Até a próxima reunião e conto com a presença de todos...”

Um texto de Renato Costa